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História da Internet

A Internet é uma rede global planetária que interliga vários computadores de forma aparentemente pouco estruturada, mas que é muito funcional porque a sua utilizaçao é independente da sua estrutura caótica.

Para perceber a estrutura de suporte da Internet é necessário perceber que existem diversas formas de interligar computadores e perceber também porque motivo foi criada a Internet com a sua estrutura original.

A existencia de diversos computadores em diversos locais e com informaçao complementar criou a necessidade ter os computadores interligados de forma a que possamos comunicar com todos eles. Assim, passou-se a designar a ligaçao entre os computadores por “rede”.

A forma de interligar computadores já tinha uma longa história antes de surgir a Internet.
De forma sintética existiam tres tipos estruturados de redes, ou seja, tres formas distintas de interligar computadores (designadas por tipologias):

  • BUS
  • ANEL (Ring)
  • STAR (Estrela)

Estas tipologias de rede diferenciam-se pela forma como os computadores se ligam entre si. Conforme a estrutura adoptada conforme as mais valias e as dificuldades que se colocam a essas redes.

Rede BUS
Esboço de uma Rede BUS

Numa rede do tipo BUS ou Barramento os diversos computadores partilham uma linha comum e quando pretendem comunicar entre si mandam uma mensagem para a linha que, além dos dados que pretende transmitir, contém também o endereço do destinatário.

Todos os computadores desta rede tem também a capacidade de escutar sobre a linha comum e quando detectam no cabeçalho da mensagem, que passa na linha, que a mensagem se dirige a ele, ouve-a e depois manda uma informaçao para o emissor a indicar que recebeu a mensagem.

O principal problema deste tipo de rede é que, quando um computador decide enviar uma mensagem e antes deste terminar outro inicia também o envio de uma mensagem, as mensagens colidem no fio nao sendo possível a nenhum computador entender o que afinal está a ser comunicado. A este evento dá-se o nome de colisao.

As redes de comunicaçao do tipo hub funcionam de forma muito eficiente quando na rede local nao existe uma grande quantidade de tráfego em simultâneo, ou seja, ou o número de computadores é pequeno, ou a quantidade de comunicaçoes ao mesmo tempo é pouco frequente. Quando o tráfego é muito intenso, o número de colisoes cresce exponencialmente tornando praticamente inoperacional uma rede com esta tipologia.

Várias técnicas foram desenvolvidas para minorar o impacto das colisoes no desempenho geral da rede. A mais comum é a de quando existe uma colisao os intervenientes “adormecerem” por um número aleatório de milissegundos. Como cada um dos computadores que provocou a colisao dificilmente terá o mesmo número aleatório entao um deles “acordará” primeiro e provavelmente conseguirá enviar a sua mensagem sem colisao.

Rede em ANEL (RING)

Uma técnica mais sofisticada consiste na utilizaçao de um token, ou seja, uma autorizaçao que vai passando de computador para computador e apenas o computador que possui o token tem a autorizaçao de comunicar.
Esta abordagem é a que está na origem da tipologia de rede ring / token ring.

Esboço de uma Rede em ANEL

A diferença entre uma rede hub e uma rede em anel (ring) é que neste último caso as extremidades da linha comum que liga os computadores estao interligadas.

Este facto introduz algumas novidades a forma como a comunicaçao se estabelece. Desde logo a comunicaçao tem de se realizar sempre num determinado sentido (horário ou anti-horário).
é possível que mais do que um computador esteja a comunicar com outro simultaneamente, desde que a origem e destino nas comunicaçoes nao se intersectem, ou seja que a origem e destinatário da primeira mensagem, esteja antes na ordem dos computadores na rede, do que a origem e destinatário da segunda mensagem.

Quando um computador detecta na linha uma mensagem que foi ele próprio que enviou, entao isso significa que a mensagem deu a volta a linha e que o computador de destino nao existe ou nao está nesse momento ligado a rede.

Com a utilizaçao deste tipo de rede, tal como descrito atrás, também se resolve o problema das colisoes que possam existir numa rede em anel.

As redes em anel conseguem suportar uma maior carga de tráfego do que as redes hub e consequentemente muitos mais computadores. Para evitar demoras no percorrer de uma rede em anel demasiadamente extensa foi desenvolvida uma técnica de utilizar duas redes anel em simultâneo, uma no sentido horário e outra no sentido contrário. Desta forma o tempo médio na comunicaçao é reduzido para metade, melhorando a eficiencia da rede.

Rede em ESTRELA (STAR)

O terceiro tipo estruturado de rede é a rede em estrela ou centralizada. Neste tipo de rede existe um equipamento central, um servidor, que centraliza todas as comunicaçoes e que trata ele próprio de encaminhar a informaçao para o destinatário correcto.

Os primeiros computadores utilizavam esta abordagem. Uma vez que esses computadores eram equipamentos muito dispendiosos era vantajoso investir num equipamento central mais caro e reduzir ao mínimo os custos com os terminais que a ele acediam.

Neste tipo de rede o ponto central para a garantia de bom desempenho é a capacidade do servidor, sendo o desempenho da rede directamente proporcional a sua capacidade de processar a informaçao transmitida.

Esboço de uma Rede em ESTRELA

Esta estrutura de rede resolve de forma eficiente a comunicaçao em redes locais e mesmo regionais.

Rede MESH

Com o início da era nuclear no culminar da II Guerra Mundial (1945) e com a ameaça permanente da guerra fria, foram novamente as necessidades de defesa (desta feita face a uma guerra nuclear) que levaram a criaçao da Internet, tal como foram as necessidades de cálculos da balística que levaram a criaçao do primeiro computador.

Um ataque nuclear tem as características de ser muito difícil de deter e de ser devastador. Ora, sendo a informaçao um bem precioso em tempo de guerra, ficar sem comunicaçao entre os computadores é muito nefasto para a capacidade de comando e reacçao.

Imaginemos que cada computador representado nos esquemas acima se encontra em diferentes cidades ao longo do continente americano. Nenhuma das redes anteriormente existentes era capaz de resistir a um ataque nuclear, uma vez que todas elas tinham um ponto de vulnerabilidade que uma vez atingido eliminava a capacidade de comunicaçao.

Na rede hub e anel basta que se destrua a linha de comunicaçao num ponto para que a rede fique inoperacional. No caso da rede em estrela basta que se neutralize o servidor central.

O Departamento de Defesa dos EUA passou entao a financiar fortemente a investigaçao de um novo tipo de rede em que nao existisse um ponto de vulnerabilidade, ou seja, que, caso existisse um qualquer ponto da rede atacado a rede poderia continuar a funcionar utilizando os outros computadores e ligaçoes entre eles.

Assim, em 1968 a ARPA (Advance Research Projects Agency) criou a ARPANET(que mais tarde passou a chamar-se DARPA. Tratava-se de um novo tipo de rede (Mesh) sem servidor central e com muitas ligaçoes nao organizadas entre os computadores. Alternativamente poder-se-ia pensar na opçao de ligar todos os computadores entre si, mas isso teria um custo gigantesco em linhas de comunicaçao e a cada novo computador acrescentado a rede seria necessário passar muitos cabos de interligaçao.

Esboço de uma Rede MESH

Nas redes mesh podem ser acrescentadas novas linhas (ligaçoes) a medida das necessidades ou desactivadas outras. Assim, em caso de ataque, a informaçao poderá encontrar o caminho do seu destino por outro caminho disponível.

Para que esta rede complexa funcionasse foi necessário desenvolver a tecnologia dos encaminhadores (routers) que colocados em cada nó da rede decidiam para onde enviar cada informaçao com base no destinatário. O protocolo de comunicaçao que suporta esta forma de funcionamento é o TCP/IP.

Os militares desenvolveram esta tecnologia e guardaram-na secretamente. Tao secretamente que em 1986 (18 anos depois) ainda só existiam 5 computadores ligados em rede com esta tecnologia, o que era um desperdício dada a necessidade crescente de lidar com as inúmeras outras redes que foram entretanto sendo criadas.

Assim, no final da década de 80 o know-how (saber) e a infra-estrutura foram transferidos para a NSF (National Science Foundation) que já incorporava as universidades, as empresas e o governo para além dos militares americanos.A NSFnet foram sendo juntas cada vez mais redes, construindo-se entao aquilo que se conhece hoje como INTERNET.

A Internet é tao somente a rede física que hoje liga os computadores pelo mundo inteiro e os protocolos de comunicaçao que garantem que a informaçao vai do emissor ao receptor por um caminho disponível no momento... nao necessariamente o melhor.

Esta nova rede foi construída para ser redundante e para nao ter um centro de comando e a medida que mais computadores se foram ligando a rede e criando ligaçoes de forma anárquicas, mas sempre tentando proporcionar a si próprio os melhores contactos na rede, foi-se criando uma teia de ligaçoes que nao é possível desligar sem que estivessem de acordo em faze-lo uma enorme percentagem dos computadores do mundo ligados em rede. Mesmo assim a Internet ainda sobreviveria em circuitos mais pequenos, eventualmente desligados entre si.

O crescimento que a Internet teve foi e continua a ser fabuloso. A sua natureza nao controlada lançou a base para um novo tipo de sociedade e de disseminaçao da informaçao. Hoje, toda a informaçao, boa e má, está disponível na net a distância de um clique e é o saber tirar partido dessa infra-estrutura que está na base da nova estruturaçao da sociedade — a sociedade da informaçao.

História da WORLD WIDE WEB

A Internet é uma infra-estrutura de comunicaçao sobre a qual podem ser disponibilizados diversos serviços: email, newsgroups, telnet, ftp, etc. Nenhum outro serviço foi melhor sucedido do que a World Wide Web, tendo inclusive actualmente absorvido praticamente todos os outros, passando a ser a base de acesso a toda a informaçao na internet.

Em 1989, o ingles Tim Berners Lee, investigador em física do CERNE (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire) em Genebra (Suiça) criou um sistema de visualizar informaçao para a Internet baseado no hipertexto e chamou-lhe World Wide Web. O objectivo era tornar mais simples e fácil a visualizaçao da informaçao por parte dos colegas investigadores de informaçao na área da física de alta energia. Este sistema podia ser utilizado independentemente do equipamento utilizado (Unix, Macintosh ou Dos).

O hipertexto era já uma tecnologia desenvolvida e consistia em disponibilizar em cada página de informaçao diversos conteúdos que eles próprios podiam fazer referencia a outra página de informaçao. Existia assim uma nova forma de organizar informaçao, muito acessível, mas sem aparente estrutura, sequencia ou hierarquia, o que requereu o desenvolvimento de novas formas de apresentaçao e pesquisa de informaçao, tais como os portais, os motores de pesquisa, os anéis de páginas temáticas e os directórios.

Em Agosto de 1991 a WWW começou a ser utilizada depois do seu autor a ter disponibilizado gratuitamente para uso da pequena, mas bem conectada comunidade Internet de entao.

Cresceu muito rapidamente o seu uso e o HTML tornou-se a língua franca da Internet. Actualmente o HTML vai na versao 4.01, sendo controlado pela World Wide Web Consortium (www.w3c.org) que foi criado em 1994.

A WWW tem texto, imagens, som, animaçoes e vídeo, sendo muito apelativa. Tem também links para passar de uma página para outra de forma fácil. Tem um formato simples e intuitivo, aberto a todos e gratuito. Tem tudo o que é preciso para iniciar uma revoluçao...

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